Gordura corporal: “browning” do tecido adiposo favorece o emagrecimento

Gordura corporal: “browning” do tecido adiposo favorece o emagrecimento

Por Redação derramaram

           A gordura é estocada no tecido adiposo branco em diferentes regiões do nosso corpo e, a preferência no local de depósito é fortemente determinada por aspectos genéticos e hormonais. Mulheres, por exemplo, possuem a tendência de acúmulo na região abaixo da pele (subcutânea), principalmente na área do quadril e coxas. Já os homens acumulam gordura preferencialmente na região abdominal, principalmente na região das vísceras. Portanto, um homem e uma mulher que possuem  o mesmo grau de sobrepeso ou até obesidade leve, certamente não apresentarão o mesmo risco metabólico, ou seja, o homem apresentará uma piora de diversos marcadores metabólicos, enquanto a mulher poderá não apresentar  nenhuma alteração.

               Natasha Barros nutricionista e educadora física explica que o tecido adiposo subcutâneo apresenta células adiposas do tipo marrom e brancas, sendo que o marrom (BAT-Brown Adipose Tissue) possui atividade oposta a do tecido adiposo branco: enquanto o branco reserva, estoca energia, o marrom queima, gasta.

               A gordura marrom tem mais capilares do que a gordura branca, por conta do consumo elevado de oxigênio. A gordura marrom também tem muitos nervos, proporcionando estimulação “simpática” para as células de gordura. “Isso ocorre porque o aumento da expressão de uma enzima chamada PGC-1alfa no músculo leva à produção de um hormônio chamado irisina que vai no tecido adiposo branco estimular uma proteína desacopladora chamada UCP1 que promoverá modificações metabólicas adaptativas como o brite ou o browning, transformando células adiposas brancas, armazenadoras em beges ou marrons gastadoras de energia, capazes de “transformar” a energia acumulada em calor.” Explica Natasha Barros.

               Esse tecido é característico de animais que hibernam, como os ursos; sabe-se que bebês também possuem uma grande quantidade desse tecido para manter seus corpos aquecidos durante o sono. No entanto, há menos de uma década, descobriu-se que adultos também possuem tecido adiposo marrom. As pesquisas mais recentes indicam que os tecidos adiposos marrom e branco não são tão independentes um do outro como se imaginava. Na verdade, estudo recente demonstrou que uma célula de gordura branca pode se transformar em uma célula marrom, processo chamado “amarronzamento” (do inglês “browning”). As células susceptíveis a esse processo estão sendo chamadas de “bege” (ou “brite”, em inglês) que, assim como as células marrons, tendem a “estocar” menos e “queimar” mais gordura. A via inversa também é possível; dependendo do estímulo, células marrons podem se tornar brancas. E quais seriam esses estímulos? Estudos preliminares apontam que enquanto uma dieta hipercalórica está relacionada com o “branqueamento” de células, o frio intenso e o exercício físico regular estão relacionados com o “amarronzamento”.

“Exercícios físicos contínuos, dieta de baixo carboidrato e alguns alimentos específicos são capazes de estimular a transformação do tecido gorduroso branco (que armazena gordura) em tecido gorduroso marrom (que gasta energia). Isso é o browning do tecido gorduroso, a mais nova aposta em emagrecimento e prevenção de doenças metabólicas (obesidade, diabetes, cardíacas, hipertensão e dislipidemia.” Conclui Nat Barros nutricionista e educadora física.

Portanto, em relação à saúde metabólica, talvez o local de depósito do tecido adiposo e seu tipo possam ser mais importante do que a quantidade de gordura corporal total. Lembrem-se que estímulos ambientais, como o exercício e a dieta, podem modificar o perfil do tecido adiposo, para o “bem” ou para o “mal”.

Compartilhe esta notícia

Posts relacionados

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: